- Me diga sinceramente aquilo que mais perturba o ser humano... Saberia me dizer?
Na minha racionalidade, digo, minha capacidade limitada de entendimento, diria sem dúvidas que é a nosso condição de ser humano.
Mas aquilo que cala a voz,
aquilo que padece minha alma e não supera as orações,
pois é desta agonia que minha vontade se alimenta!
Junto palavras para dizer que amo! Que sinto e pondero...
Junto verbos e sujeitos alinhados aos critérios que a literatura determina.
Mesmo assim nada dizem.
Nada disso responde aquilo que sou em sua plenitude...
Não basta ao ser humano vasculhar
conhecimento para o entendimento
que possa elucidar nossa vida.
Mas permaneço nesta louca jornada.
Mantenho minha labuta em obscura rota...
Um personagem que busca em sua caminhada,
apenas lembrar que deverás é!
(A Rota de Louis Juson! Buscando lembrar quem era antes de esquecer. Como roteiro de uma crônica de Rolling Play Game.)
Esta pergunta não cala minha voz.
Pois minha vontade persiste, condicionada ao torpor vampírico.
Obstinado a sugar todo sangue, numa consideração análoga,
sugando os verbos para retirar o esclarecimento deste enigma
que se chama humano.
E talvez seja esta minha sina!
Continuar Procurando...
terça-feira, 25 de julho de 2017
domingo, 27 de março de 2016
Vitral Surreal
Mostra teu rosto no vidro
Retrato no vidro partido
Imagem de um rosto bonito
Meu desejo incontido!
Esconde teu rosto no vidro!
Tuas lagrimas, contas de amarguras;
Amor já esquecido...
Lembrança de um retrato antigo.
Novamente teu rosto no vidro
Mostra uma sena já sentida.
Lembrança de um retrato antigo!
Meu coração palpita na medida.
Claro vitral de sonho!
Vendo os pingos correr,
Imagem plena da ilusão!
sábado, 27 de dezembro de 2014
Ponderações e Reticências...
Ponderações e Reticências...
Pedras amontoadas em um canto
do quintal.
Entre elas o capim de baraço
entrelaçado, enroscado, tomando conta do lugar...
Houve um momento de paz e
aquele lugar iludiu minha mente perplexa pela magia. Um mundo encantado...
-Imaginado?
Por alguns instantes pude ver
minha solidão...
Estado de consciência de minha
alma!
O que trouxe aos meus sentidos
uma alegria.
Pude sentir a transpiração em meu semblante...
-Depois?
Perguntou-me o senhor de minha
mente.
Pensei na loucura...
A mão esqueceu a racionalidade
e obedecendo a um comando etéreo, manteve-se firme no labor da escrita.
Aquilo que vinha seriam
lembranças? Seriam dúvidas?
Seriam de outras vidas
estas indagações?
Uma certeza absurda me vem
alucinar, responsabilizando minha conduta
deixando a mão ocupada a
registrar as cifras de uma linguagem deveras depressiva e melancólica.
Eu continuo...
Sou aquele
baraço de capim que se espalha,
entrando nos cantos,
buscando cada côncavo...
(Uma imagem figurada no reflexo
que a retina guarde na memória).
Vejo reticências em todas as
frases já escritas, enquanto,
na mente as reticências anunciam o paradoxo do
próprio ato.
-Escrever por quê?
-Quem poderia afirmar alguma
coisa?
Mas a alegria? Aquela que
constato de forma intensa.
Em estado consciente.
Seria mesmo, apenas um fenômeno químico
produzindo fluídos e alterando a sensibilidade da mente?
Percebo que isto não importa. Percebo que a virtude
de meus
atos, trazem mais perguntas que respostas
e me responsabiliza, dando mais visão
dentro deste
quarto escuro que parece ser a vida. Então é preciso superação.
Não
podemos ser permanentes porque seriamos o nada,
algo que não somos.
A reticência determina esta
situação de forma clara
quando interrompe, mas não elimina as possibilidades.
Esta sabedoria se revela como o
baraço de capim,
como o sorriso, como a brisa ou canto de um pássaro...
-Então descobri a razão que me leva a
escrever?
-Descobri quem sou eu?
Uma pergunta insólita que por
si não questiona
sua própria natureza...
Ressalta sim, a importância dela.
Talvez eu seja baraço de capim ou apenas uma reticência...
Uma ponderação sobre aquilo
que tento traduzir.
Então considerei minha verdade!
Sou naturalmente um ponderador.
- E então?
Continua a pergunta por que um operário aposentado escreve.
E se mantém feliz escrevendo depois de cada reticência...
No final me resta conjugar o verbo...
Eu pondero
Tu ponderas
Ele ou Ela pondera
Nós ponderamos
Vós Ponderais
Eles ou Elas ponderam
Gerúndio, ponderando;
Particípio passado, ponderado.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
SUCO DA LARANJA
Copo na mão, aperto na alma!
Mãos trêmulas que sangram
A miséria demente da solidão
Onde habita nosso medo...
Copo na mão!
Veia que dilata na perícia insana.
Gole doce, nosso amargor!
Veia que dilata,
Bebida consumida
Numa profunda lascívia
Que masturba a mente.
Bebida engolida, destilada...
Prostituindo os pensamentos!
Copo na mão que treme deixando pingos marcados no chão...
(Sei que os limões estão maduros, mas quero beber o suco da laranja.)
CONSTATAÇÃO
Nordeste seco, povo, cruz e fé.
Mãos enrugadas com unhas grandes e
sujas, rosário entre os dedos.
-Uma lamentação!
Canção feita na varanda,
viola e sanfona imitando o vento a bater nos cascalhos do Chapadão.
viola e sanfona imitando o vento a bater nos cascalhos do Chapadão.
Na parede o santo de papel assiste a tudo, sem nada dizer!
Apenas seu distante sorriso sugere a presença de deus.
Árida terra, inóspita...
Nordeste seco, povo, cruz e fé.
Pecado do pedófilo, incesto no riacho de areia...
Menina bolinada, mal tratada, desolada, analfabeta.
Desconjurada como filha do diabo!
E a menina paga sua penitência.
Pau de arara ou no bumba meu boi,
maxixe, forró, cana, farinha, a Caatinga...
maxixe, forró, cana, farinha, a Caatinga...
Pegadas na areia solta,
sinais da demanda migrante que vem para o sul.
sinais da demanda migrante que vem para o sul.
São todos retirantes, navegantes do mar árido e inóspito do sertão.
Seco Nordeste.
Povo, reza e fé...
- Buscam o quê?
Água e Jesus!
-Como posso ter sede vivendo aqui no sul?
Ouço a calha roncar com o aguaceiro que a tempestade de verão trouxe.
Aqui é sempre assim!
As pegadas na lama coberta pela geada do mês de Agosto, dissolvem com os
primeiros raios do Sol...
-Nossa reza egoísta.
Pecado do sul.
Deveríamos agradecer pela AIDS, pela enchente.
Até a pneumonia deveria ter uma canção sacra.
Maldades daqui não diferem das de lá!
Somos crédulos, somos pedófilos e doutores, somos ignorantes, todos analfabetos na arte
da compaixão.
(Em nossas paredes os santinhos de papel permanecem...)
O menino de pele alva suga o seio farto, alimentando o vazio...
Nossa miséria deprimente, carência de Deus.
A noite vem com seu frescor e ouço o violão imitando o vento.
Peço minha graça contando as estrelas em todas as noites só solidão.
Árida terra farta! Povo...
Nossa reza, cruz e fé.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
A ÁRVORE
Erguida imponente,
Pilar de madeira viva!
Exalando perfume e sombreando cabeças...
Ramos e parasitas que te adornam
Escondem um pardal que voa e volta!
Árvore gigante vestida de folhas...
Ingrato homem que te tomba!
"Coitada" é cortada e vira matiz pintada na moldura
Daquele que segura um machado na mão...
Uma árvore caída no chão e muitas casas
Construídas para a civilização!
Assim, na história de era uma vez...
Erguida imponente!
Uma única árvore ainda vive!
Esperando um novo pensar nas cabeças!
"-Quem sabe uma nova civilização!"
Pilar de madeira viva!
Exalando perfume e sombreando cabeças...
Ramos e parasitas que te adornam
Escondem um pardal que voa e volta!
Árvore gigante vestida de folhas...
Ingrato homem que te tomba!
"Coitada" é cortada e vira matiz pintada na moldura
Daquele que segura um machado na mão...
Uma árvore caída no chão e muitas casas
Construídas para a civilização!
Assim, na história de era uma vez...
Erguida imponente!
Uma única árvore ainda vive!
Esperando um novo pensar nas cabeças!
"-Quem sabe uma nova civilização!"
domingo, 21 de julho de 2013
Os gomos da bergamota
No começo...
Assim
ponderei!
Os
gomos da bergamota
Tudo que sinto traduz minha ignorância. Posta em minha
frente como reflexo no espelho, nada parece traduzir esta sensação, nada parece
trazer-me a paz. Além disso, fico tentando justificar aquilo que deveras sinto
como se houvesse alguma compreensão natural. Resumidamente, sinto tudo como um
resgate da consciência infinita. Sei que não somos apenas carne, tão somente
busco a divindade dentro do meu ser. Como todo bom pensador também estou á
procura do eu. Aquele que pergunta. Aquele que chora. Aquele que ri. Aquele que
beija. Aquele que afaga. Aquele que crê. Aquele que sente... Aquele que
pergunta sobre o que escrever.
“Pude ouvir o som que vinha com o vento, ele
acariciava meus ouvidos, dava aos meus sentidos um prazer indescritível...”
-Sem compreensão. E continua...
“Pelo vidro da janela pude espreitar a aurora
colorindo o céu, dando aos que para ela olhavam a alegria de sentir os
primeiros raios de Sol... Uma radiação contagiante, aquecendo o corpo e a
alma...”
-Meu pecado!
“No pomar o arvoredo ainda úmido pelo sereno, escondia
mistérios que os sentidos não alcançavam, tão pouco, ousava eu penetra-los.”
-Medo!
O destino na sua trajetória buscou meu caminho, foi
como um conto de fadas aquela revelação e não pude conter nem um dos
acontecimentos, pois, eles determinaram a visão daquilo que sou em essência,
indubitavelmente, nada havia para ser feito, somente vivenciar cada momento e
aprender. Talvez a única certeza que havia, fosse a de que somente o
conhecimento pudesse resgatar as minhas lembranças. Era o que pensava.
Todos os dias eu chegava mais perto. Percebia, ela
estava esperando a hora em que eu a tocasse. E não demorou a tudo acontecer,
meu braço foi puxado quando minha mão tocou o véu, aquele rosto misterioso
sorriu... Senti um prazer incomum! A voz que entrou em meus ouvidos trouxe
calma. Mesmo quando as nuvens cobriram o Sol formando figuras escuras, medonhas
formas hipnóticas mergulhando no cérebro, refugio daqueles códigos e enigmas,
há muito perdidos. Foi quando a mão, repentinamente, começou a decodificar cada
sinal, cada momento...
A mulher estava nua. Eu toquei cada parte dela e senti
todas as sensações que ela sentia, pude dormir e sonhar seus sonhos, enquanto,
ao longe o sino tocava clamando pelos seus fiéis. Percebi então que a solidão
caminhava junto com todos, e, naquele instante somente eu rezava, somente eu
ouvia a voz de Deus, ninguém notou quando as presenças do Sol, da Lua, das
árvores e da água se manifestaram permitindo que Deus anda-se em meio das
mulheres e dos homens. Foi quando minhas lágrimas mataram minha sede e aos
poucos os escombros viraram relva florida e macia...
Foi quando lembrei uma oração que mamãe havia me
ensinado, fiquei ali sentado rezando, enquanto, os monstros me cercavam
causando dor, materializando cristais dentro de meu corpo. Fechei os olhos e
passados o movimento da ampulheta, senti o cheiro das flores, uma brisa suave resvalou
em minha pele que se arrepiou, pétalas de rosas cobriram meu corpo nu. Crianças
brincavam de roda e convidavam-me para brincar... Olhei para o lado e lá
estava... “- era uma presença sem adjetivos...” Diante todos beijei aqueles pés
delicados e sua mão me conduziu. Tudo se revelou...
Somente uma pergunta havia!
Diante de uma porta eu parei por alguns instantes e
ficou claro que era preciso coragem para entrar! O medo, as dúvidas, a solidão seriam formas para
encorajar a busca da luz e ao mesmo tempo motivo para ficar inerte diante da
vida, isto eu sabia, pois já havia lido isto nos livros que me rodeavam... Parado diante da porta agora estava...
-Mas os olhos estavam abertos!
Foi nas ultimas horas do dia. Ainda faltava descobrir
qual igreja tocava o sino e o que escondia aquele prédio antigo de arquitetura
simples. Ao abrir a porta uma senhora veio abraçar-me, ela agora estava sem seu
habitual capuz, depois, conduziu-me por um corredor e em cada porta nós
paramos... Ela me apresentou a todos que lá estavam... Eu reconhecia cada um
deles presentes naquele lugar familiar!
Ela então disse com voz serena...
-Tenha coragem!
Não era mais real aquilo tudo. Pensei!
Lembrei minha infância. De quando voltava da escola e
na sombra do arvoredo me empanturrava de tanto comer bergamotas. Das estórias
de meu avo, das coisas da vida que teimamos em dizer ser nossa sapiência. Esta
nossa saudade! E assim cada gomo transformou-se... “- Poesia!” No mesmo instante percebi que ainda haviam muitas
reticências desenhadas em minha mente e seria necessário as ponderações que
talvez em um futuro não distante poderão elucidar minha ignorância.
Pinga pinga
Pingo d’água
Pinga sem parar
Um mistério a desvendar... “Vestígios inexplicáveis onde as ponderações lúcidas, técnicas ou científicas, não elucidam. Somente o silêncio é que produz eco, sinos surreais, entoando mantras sagrados e conhecidos que fingimos não entender. Ignoramos nosso coração e decoramos canções. Quando somente bastava olhar para o lado, bastava apenas dizer...”
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O anoitecer em frente de minha casa...