sábado, 5 de fevereiro de 2022

- Por que pinga o pingo d'água?

 Pingo d'água

Que pinga sem parar.

Pinga, pinga, pingo d'água

Um mistério a desvendar!

O porquê que pinga um pingo

A esperteza de menino

Saberá me explicar.

-Mas por que pinga o pingo d'água?

Isto nunca ninguém saberá!

Isto nunca ninguém saberá!


Pinga, pinga,

Pingo d'água

Pinga, pinga sem parar...

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Recordações de São Sebastião do Caí


- Lembro o tempo de criança:
passeio no fim da tarde
nas margens do Rio,
casa antiga que morava,
turma da escola,
brincadeira da garotada...

Na rua corrida de carrinho de lata,
coleção de tampinha,
na Rua Tiradentes
ou "Rua da Barca"!

Andar de bicicleta na Praça,
o policial camarada.
A Festa de Janeiro
nossa homenagem ao padroeiro,
preparação do ano inteiro.
Dia de São Sebastião
todos na Procissão
orando com devoção!
recordações da cidade pacata,
quase esquecida...

No passado de glórias
a história marcou nos mapas
Porto dos Guimarães!
A "Escola Normal", o "Ginásio",
o "Grupo Felipe Camarão";

"Cidadezinha cheia de graça",
leitura de Tema de Casa.

- Recordações... Nossa velha Caí!
Coisas que vi e nunca esqueci:
momentos intensos,
angústia de adolescentes,
primeira comunhão,
primeiro pecado.
Missa de Domingo,
flerte com a menina de minissaia...

Nos dias de Sol quente
o vento balançando o varal de roupas...
Colher pêra, colher caqui,
correr, jogar bolita, pedalar...
(- Ah! Minha Monareta "Daiana"!)

Primavera, Verão Outono,
barquinho de papel
na enchente que subia.
Fundo do quintal,
laranja, limão e bergamota,
tradições nos cítricos
a Festa da Bergamota!

Mistura de saudade,
pesar e alegria...
Recordações da infância!
Lembranças da cidade,
recordações de São Sebastião do Caí!

(Esta poesia foi publicada no ano de 2006, no livro Os Gomos da Bergamota; edição independente que teve o apoio da AGEI - Associação Gaúcha dos escritores Independentes)

terça-feira, 25 de julho de 2017

Procurando...

- Me diga sinceramente aquilo que mais perturba o ser humano... Saberia me dizer?

Na minha racionalidade, digo, minha capacidade limitada de entendimento, diria sem dúvidas que é a nosso condição de ser humano.

Mas aquilo que cala a voz,
aquilo que padece minha alma e não supera as orações,
pois é desta agonia que minha vontade se alimenta!

Junto palavras para dizer que amo! Que sinto e pondero...
Junto verbos e sujeitos alinhados aos critérios que a literatura determina.
Mesmo assim nada dizem.
Nada disso responde aquilo que sou em sua plenitude...

Não basta ao ser humano vasculhar
conhecimento para o entendimento
que possa elucidar nossa vida.

Mas permaneço nesta louca jornada.
Mantenho minha labuta em obscura rota...

Um personagem que busca em sua caminhada,
apenas lembrar que deverás é!
(A Rota de Louis Juson! Buscando lembrar quem era antes de esquecer. Como roteiro de uma crônica de Rolling Play Game.)

Esta pergunta não cala minha voz.
Pois minha vontade persiste, condicionada ao torpor vampírico.
Obstinado a sugar todo sangue, numa consideração análoga,
sugando os verbos para retirar o esclarecimento deste enigma
que se chama humano.

E talvez seja esta minha sina!
Continuar Procurando...

domingo, 27 de março de 2016

Vitral Surreal


Mostra teu rosto no vidro
Retrato no vidro partido
Imagem de um rosto bonito
Meu desejo incontido!

Esconde teu rosto no vidro!
Tuas lagrimas, contas de amarguras;
Amor já esquecido...
Lembrança de um retrato antigo.

Novamente teu rosto no vidro
Mostra uma sena já sentida.
Lembrança de um retrato antigo!
Meu coração palpita na medida.

Claro vitral de sonho!
Vendo os pingos correr,
Imagem plena da ilusão!

sábado, 27 de dezembro de 2014

Ponderações e Reticências...

Ponderações e Reticências...

Pedras amontoadas em um canto do quintal.    
Entre elas o capim de baraço entrelaçado, enroscado, tomando conta do lugar...
Houve um momento de paz e aquele lugar iludiu minha mente perplexa pela magia. Um mundo encantado...

-Imaginado? 

Por alguns instantes pude ver minha solidão...
Estado de consciência de minha alma! 
O que trouxe aos meus sentidos uma alegria. 
Pude sentir a transpiração em meu semblante...

-Depois?

Perguntou-me o senhor de minha mente.

Pensei na loucura...

A mão esqueceu a racionalidade e obedecendo a um comando etéreo, manteve-se firme no labor da escrita.
Aquilo que vinha seriam lembranças?   Seriam dúvidas?   
Seriam de outras vidas estas indagações?
Uma certeza absurda me vem alucinar, responsabilizando minha conduta
deixando a mão ocupada a registrar as cifras de uma linguagem deveras depressiva e melancólica.   

Eu continuo... 

Sou aquele baraço de capim que se espalha, 
entrando nos cantos, 
buscando cada côncavo...

(Uma imagem figurada no reflexo que a retina guarde na memória).

Vejo reticências em todas as frases já escritas, enquanto, 
na mente as reticências anunciam o paradoxo do próprio ato.

-Escrever por quê?

-Quem poderia afirmar alguma coisa?

Mas a alegria? Aquela que constato de forma intensa. 
Em estado consciente.
Seria mesmo, apenas um fenômeno químico
produzindo fluídos e alterando a sensibilidade da mente?

Percebo que isto não importa. Percebo que a virtude 
de meus atos, trazem mais perguntas que respostas 
e me responsabiliza, dando mais visão dentro deste 
quarto escuro que parece ser a vida. Então é preciso superação. 
Não podemos ser permanentes porque seriamos o nada, 
algo que não somos.   

A reticência determina esta situação de forma clara 
quando interrompe, mas não elimina as possibilidades.   
Esta sabedoria se revela como o baraço de capim, 
como o sorriso, como a brisa ou canto de um pássaro...

-Então descobri a razão que me leva a escrever? 

-Descobri quem sou eu?           

Uma pergunta insólita que por si não questiona 
sua própria natureza...
Ressalta sim, a importância dela.

Talvez eu seja baraço de capim ou apenas uma reticência...

Uma ponderação sobre aquilo que tento traduzir.

Então considerei minha verdade!
Sou naturalmente um ponderador.

- E então? 

Continua a pergunta por que um operário aposentado escreve.
E se mantém feliz escrevendo depois de cada reticência...

No final me resta conjugar o verbo...

Eu pondero
Tu ponderas
Ele ou Ela pondera
Nós ponderamos
Vós Ponderais
Eles ou Elas ponderam

Gerúndio, ponderando;
Particípio passado, ponderado.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

SUCO DA LARANJA


Copo na mão, aperto na alma!
Mãos trêmulas que sangram
A miséria demente da solidão
Onde habita nosso medo...

Copo na mão!

Veia que dilata na perícia insana.

Gole doce, nosso amargor!
Veia que dilata,
Bebida consumida
Numa profunda lascívia
Que masturba a mente.
Bebida engolida, destilada...
Prostituindo os pensamentos!

Copo na mão que treme deixando pingos marcados no chão...

(Sei que os limões estão maduros, mas quero beber o suco da laranja.)

CONSTATAÇÃO


Nordeste seco, povo, cruz e fé.

Mãos enrugadas com unhas grandes e
sujas, rosário entre os dedos.

-Uma lamentação!

Canção feita na varanda,
viola e sanfona imitando o vento a bater nos cascalhos do Chapadão.
Na parede o santo de papel assiste a tudo, sem nada dizer!
Apenas seu distante sorriso sugere a presença de deus.

Árida terra, inóspita...
Nordeste seco, povo, cruz e fé.

Pecado do pedófilo, incesto no riacho de areia...
Menina bolinada, mal tratada, desolada, analfabeta.
Desconjurada como filha do diabo!
E a menina paga sua penitência.
Pau de arara ou no bumba meu boi,
maxixe, forró, cana, farinha, a Caatinga...

Pegadas na areia solta,
sinais da demanda migrante que vem para o sul.
São todos retirantes, navegantes do mar árido e inóspito do sertão.

Seco Nordeste.
Povo, reza e fé...

- Buscam o quê?
Água e Jesus!

-Como posso ter sede vivendo aqui no sul?
Ouço a calha roncar com o aguaceiro que a tempestade de verão trouxe.
Aqui é sempre assim!
As pegadas na lama coberta pela geada do mês de Agosto, dissolvem com os primeiros raios do Sol...

-Nossa reza egoísta. 
Pecado do sul.

Deveríamos agradecer pela AIDS, pela enchente.
Até a pneumonia deveria ter uma canção sacra.
Maldades daqui não diferem das de lá!
Somos crédulos, somos pedófilos e doutores, somos ignorantes, todos analfabetos na arte da compaixão.

(Em nossas paredes os santinhos de papel permanecem...)

O menino de pele alva suga o seio farto, alimentando o vazio...
Nossa miséria deprimente, carência de Deus.
A noite vem com seu frescor e ouço o violão imitando o vento.
Peço minha graça contando as estrelas em todas as noites só solidão.

Árida terra farta! Povo...


Nossa reza, cruz e fé.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A ÁRVORE

Erguida imponente,
Pilar de madeira viva!
Exalando perfume e sombreando cabeças...

Ramos e parasitas que te adornam
Escondem um pardal que voa e volta!
Árvore gigante vestida de folhas...

Ingrato homem que te tomba!
"Coitada" é cortada e vira matiz pintada na moldura
Daquele que segura um machado na mão...

Uma árvore caída no chão e muitas casas
Construídas para a civilização!
Assim, na história de era uma vez...

Erguida imponente!
Uma única árvore ainda vive!
Esperando um novo pensar nas cabeças!
"-Quem sabe uma nova civilização!"



domingo, 21 de julho de 2013

Os gomos da bergamota

No começo...
Assim ponderei!

Os gomos da bergamota

Tudo que sinto traduz minha ignorância. Posta em minha frente como reflexo no espelho, nada parece traduzir esta sensação, nada parece trazer-me a paz. Além disso, fico tentando justificar aquilo que deveras sinto como se houvesse alguma compreensão natural. Resumidamente, sinto tudo como um resgate da consciência infinita. Sei que não somos apenas carne, tão somente busco a divindade dentro do meu ser. Como todo bom pensador também estou á procura do eu. Aquele que pergunta. Aquele que chora. Aquele que ri. Aquele que beija. Aquele que afaga. Aquele que crê. Aquele que sente... Aquele que pergunta sobre o que escrever.

“Pude ouvir o som que vinha com o vento, ele acariciava meus ouvidos, dava aos meus sentidos um prazer indescritível...”

-Sem compreensão. E continua...

“Pelo vidro da janela pude espreitar a aurora colorindo o céu, dando aos que para ela olhavam a alegria de sentir os primeiros raios de Sol... Uma radiação contagiante, aquecendo o corpo e a alma...”

-Meu pecado!

“No pomar o arvoredo ainda úmido pelo sereno, escondia mistérios que os sentidos não alcançavam, tão pouco, ousava eu penetra-los.”

-Medo!

O destino na sua trajetória buscou meu caminho, foi como um conto de fadas aquela revelação e não pude conter nem um dos acontecimentos, pois, eles determinaram a visão daquilo que sou em essência, indubitavelmente, nada havia para ser feito, somente vivenciar cada momento e aprender. Talvez a única certeza que havia, fosse a de que somente o conhecimento pudesse resgatar as minhas lembranças. Era o que pensava.

Todos os dias eu chegava mais perto. Percebia, ela estava esperando a hora em que eu a tocasse. E não demorou a tudo acontecer, meu braço foi puxado quando minha mão tocou o véu, aquele rosto misterioso sorriu... Senti um prazer incomum! A voz que entrou em meus ouvidos trouxe calma. Mesmo quando as nuvens cobriram o Sol formando figuras escuras, medonhas formas hipnóticas mergulhando no cérebro, refugio daqueles códigos e enigmas, há muito perdidos. Foi quando a mão, repentinamente, começou a decodificar cada sinal, cada momento...
A mulher estava nua. Eu toquei cada parte dela e senti todas as sensações que ela sentia, pude dormir e sonhar seus sonhos, enquanto, ao longe o sino tocava clamando pelos seus fiéis. Percebi então que a solidão caminhava junto com todos, e, naquele instante somente eu rezava, somente eu ouvia a voz de Deus, ninguém notou quando as presenças do Sol, da Lua, das árvores e da água se manifestaram permitindo que Deus anda-se em meio das mulheres e dos homens. Foi quando minhas lágrimas mataram minha sede e aos poucos os escombros viraram relva florida e macia...

Foi quando lembrei uma oração que mamãe havia me ensinado, fiquei ali sentado rezando, enquanto, os monstros me cercavam causando dor, materializando cristais dentro de meu corpo. Fechei os olhos e passados o movimento da ampulheta, senti o cheiro das flores, uma brisa suave resvalou em minha pele que se arrepiou, pétalas de rosas cobriram meu corpo nu. Crianças brincavam de roda e convidavam-me para brincar...  Olhei para o lado e lá estava... “- era uma presença sem adjetivos...” Diante todos beijei aqueles pés delicados e sua mão me conduziu. Tudo se revelou...
Somente uma pergunta havia!  

Diante de uma porta eu parei por alguns instantes e ficou claro que era preciso coragem para entrar! O medo, as dúvidas, a solidão seriam formas para encorajar a busca da luz e ao mesmo tempo motivo para ficar inerte diante da vida, isto eu sabia, pois já havia lido isto nos livros que me rodeavam... Parado diante da porta agora estava... 
-Mas os olhos estavam abertos! 

Foi nas ultimas horas do dia. Ainda faltava descobrir qual igreja tocava o sino e o que escondia aquele prédio antigo de arquitetura simples. Ao abrir a porta uma senhora veio abraçar-me, ela agora estava sem seu habitual capuz, depois, conduziu-me por um corredor e em cada porta nós paramos... Ela me apresentou a todos que lá estavam... Eu reconhecia cada um deles presentes naquele lugar familiar!
Ela então disse com voz serena...
-Tenha coragem!

Não era mais real aquilo tudo. Pensei!
Lembrei minha infância. De quando voltava da escola e na sombra do arvoredo me empanturrava de tanto comer bergamotas. Das estórias de meu avo, das coisas da vida que teimamos em dizer ser nossa sapiência. Esta nossa saudade! E assim cada gomo transformou-se... “- Poesia!” No mesmo instante percebi que ainda haviam muitas reticências desenhadas em minha mente e seria necessário as ponderações que talvez em um futuro não distante poderão elucidar minha ignorância.

Pinga pinga
Pingo d’água
Pinga sem parar
Um mistério a desvendar... 


“Vestígios inexplicáveis onde as ponderações lúcidas, técnicas ou científicas, não elucidam. Somente o silêncio é que produz eco, sinos surreais, entoando mantras sagrados e conhecidos que fingimos não entender. Ignoramos nosso coração e decoramos canções. Quando somente bastava olhar para o lado, bastava apenas dizer...”


Seios


Fartos mamilos que avolumam
Dois formosos montes no decote,
Deixando o amor sem consorte
Nos olhos desejosos que reclamam!

Nem todos podem ser iguais a este,
Tão pouco, os versos que explicam
Podem dizer da beleza que ostentam;
Somente o homem sabe de seu deleite...

Mamas róseas que balançam...
No movimento único... Um instante!
Quando as mães amamentam,

O suco vindo do leite,
Floresce o amor dos que desejam!
- E dos seios, vem tudo que se sente...

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Nada mais...

- Vejo claro na parede um retrato colorido.
Mas percebo que ninguém mais esta olhando o retrato.
Estamos sozinhos... E eu te desejo!

- Quero mais! Quero estar dentro do retrato!
Quero sentar na cadeira e ti ver nua... ti ver nua!
Apenas olhar teus olhos e teus seios!

- Quero mais! Quero tocar-te!
Quero segurar teu seio direito e beijar tua boca!
Apenas sentir novamente aquilo que já senti quando tudo começou...

Sou apenas mais um insano que imagina um desejo...
- Mas como conter estes devaneios?
Delírio que cavalga os tempos... pois já vivemos isto!

(Havia naquele lugar apenas eu e você!)

Sei que ontem eu bebi! Mas lucidez para quê?
Nada mais interessa! Apenas quero continuar iludido...
Quero apenas continuar vendo o retrato... Nosso retrato na parede vazia!
- Nada mais!

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

CORPO MORTO...


Moribunda pessoa que fui neste derradeiro cemitério 
que a realidade determina. Nesta imagem visível pelo espelho...

Póstumas todas as minhas obras, já que minha consciência
ainda padece... Não houve nem uma prece. Nada pode mudar
esta antiga existência morta. 
Inúmeras vidas justificam minha decadente vontade 
de continuar a morrer...

Sempre deixando para depois aquilo que de verdadeiro
parece ser meu querer... Sacrifício e demérito os motivadores
desta agonia.

- Tudo parece um erro!

Como beijar agora se apenas meus desejos cobram outra presença?
Se fosse tão somente desejo, aquilo que agora quero.
Mas parece intransponível a barreira deste mistério!
Neste questionamento ansioso e possesso, persigo
meus rastos buscando minha constância. Uma procura cega!

Na retina gravada, uma visão permanente entre desalinhos e desgostos,
do contido desejo, minha tortura...

Fico na sombra do arvoredo degustando bergamotas congeladas
pela geada, contudo, posso sentir que a chuva esta próxima...

- Mas não basta!
Os cristais brilham nas entranhas cobrando impostos altos
pela raridade de suas existências, concordo com isso, por conseguinte, 
morro um pouco cada dia...

Como outrora nada faço! Nada posso fazer...

- Apenas dizer que te amo!
( Mesmo antes de nascer...)

Na lapide, coberta pela penumbra, apenas as letras
mórbidas de nomes sem significados. Assim as palavras,
gestos, formas e atitudes, afloram sem nem uma propriedade.

Sem consciência persigo a languidez do teu andar.
Coisa inútil os conceitos que encontramos...
Para dizer que amo!
E morro todos os dias...


MINHA CARNE!


Carne estirada sobre os lençóis
Exalando a morte que não tardará.
Degeneração de uma constância
Única e cobiçada...   - A felicidade!

Nas dobras surreais
O Vermelho transpira.
Pulso cardíaco, palpitando...
Despertando o nosso libido!

Assim todo corpo e todo "falo"...
Sucumbem duros e erguidos
Uma chance de serem "menu"...
- Na volúpia de todos os dias!

Absurda forma "transluzente"
Da carne que se estende,
Enrugando, apodrecendo e morrendo...
- Não tardará! Esta minha carne!

sábado, 19 de maio de 2012

SEGREDOS...

Escrevi um ponto.
Você sabe dizer o que meus olhos vêem quando te vejo nua?

Quando aperto tua mão...
Quando fico em silêncio...
Quando escrevo a palavra Segredo! Qual pensamento estou sugerindo para tua compreensão?

Assim percebemos nossa frágil condição de sermos humanos... nada dá certeza. Apenas especulação e conjecturas sobre aquilo que pensamos ou dizemos.

Mas qual pensamento sugere estes escritos? Apenas minha vontade de dizer.
-Você acredita?
-Pois de fato, isto importa?

Seria o maior segredo esconder minha vergonha ao te mostrar meu corpo nú!?
Seria o maior segredo esconder meu medo quando te matei!?
Seria o maior segredo esconder meu orgulho quando eu te roubei!?
Seria o maior segredo esconder minha ilusão quando me apaixonei por ti!?
Seria o maior segredo esconder minha vaidade quando escondi isto tudo de ti!?

E agora que sabes que menti, roubei, matei e senti vergonha... o que pensaria?
Quais segredos eu ainda poderia esconder? Quantos segredos podemos guardar?
No final o que você realmente não sabia, considerando que somos iguais?
Justifico!
Este é o verdadeiro segredo...

quinta-feira, 22 de março de 2012

PEDAÇOS DE AÇÚCAR

Minha tentação foi suficiente para aterrorizar nosso medo.
Confundi a demência e possuí teu corpo.
Quem era eu quando o gozo sobreveio e inundou teu umbigo? Seriam apenas safadezas de um feiticeiro arcaico, compensando seus anseios e propósitos carnais de vidas passadas? Como explicar esta febre latente e teimosa que contagia, que contamina toda esta forma atual do meu ser?
É a gula que atropela o bom senso. Desmancho-me igual açúcar com o calor!
Então escorrego entre as tuas partes...
Estou preso entre despenhadeiros lisos. Sem saída sana! Apenas os olhos podem perceber... Alucinado pelo deslumbre da doçura procuro uma saliência para me dependurar.
Escuto o sino, parece tão próximo...
Quanta coisa falta para ser revelada?
Na mão lambuzada de suco, o gosto da laranja impede adivinhar qualquer propósito... Foi assim que lembrei das cascas de laranjas penduradas na beira da chapa de ferro do fogão de lenha. A fumaça, o cheiro de marcela fervida, a boca com gosto de vômito e a barriga apertada com dores ferronhas que pareciam romper as entranhas.
A cura veio da fervura daquele chá.
Estava feliz!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

TIBUROGUNDA OCÉU

O que é isto?
Onde fica?

Tiburogunda fica entre os dedos, nas dobras da casca da Acácia; uma imagem lúdica de mãos curiosas que usam o espelho para olhar a forma da vagina libertando a Tiburogunda com ajuda dos dedos. Pelo menos por um segundo Tiburogunda fica visível e neste instante as mulheres podem sentir as novas sensações que o corpo cobra...

Tiburogunda é feminina, delicada, sua brincadeira preferida é esconder-se entre os pequenos lábios, bem pertinho do clitóris. Ou nos ventrículos do coração!
Muitas vezes a saliva serve de morada, o próprio orvalho, a lágrima... É a gota que pinga da calha de uma casa urbana. Sempre buscando o fundo, as sombras, ela desprende seu perfume rústico e imperceptível pelo olfato físico. E não da para tocar ou beliscar...
Não fosse a competência dela nós passaríamos nossas vidas em bandos ou manadas, sem rumo, sem poesia...

Tiburogunda fez o homem ficar ereto, fez a primeira ereção e molhou a primeira vagina. Formou os gomos da laranja e deu a fala para os gnomos e as fadas. Muitas vezes ela é confundida com um demônio, outras vezes como doença do desvio sexual... Uma demência mental.
Quando chupamos manga ou bala de hortelã, quando chutamos a lata e jogamos a pedra no gato isto é a Tiburogunda que está manifestando-se. Latejando e fornicando dentro da emoção! Conduzindo no balanço da alucinação toda alienação que deixa os lençóis sujos de esperma, suor e sangue.

“Os olhos dela fitavam meu rosto... Ela sabia e abriu a boca para sorver com gula todo o suco da laranja..."

(Tiburogunda se descuidou pela única vez diante de meus olhos.)
O flagrante foi determinante. Tudo ficou em minhas mãos, pois ela não pode evitar mais minha visão. Tiburogunda estava revelada, estava nua e pura diante dos meus olhos. Deste instante em diante cada momento tornou-se apenas um breve "estarr", cada fato um gomo de bergamota e as minhas vontades não eram mais uma procura cega.
Ela revelou seu nome!
Toda evidência tornou-se um conceito, desmistificou meus preconceitos, construiu uma nova perspectiva dentro do mundo que descortinava um horizonte de um céu verde com "lifaritas" luzentes voando sobre as folhagens azuis daquela relva, o vento vinha das cavernas, as "Trulskas" que ondulava aqueles campos... Foi de lá que a Tiburogunda veio. Estávamos presentes e rastejantes dentro da lama e das areias quentes do deserto veio a regente daquele mundo qualquer... Era uma víbora abissal!

Tiburogunda mostrou seu rosto microscópico, deixou à mostra o ventre invisível e jamais visto. Lapidou meu cristal, aparou minhas unhas e cortou os pelos do meu corpo.
Deixou-me anestesiado deitado sobre a cama com cólicas renais...

"-Alguém me contou!"
As pedras nos rins do homem foram às sequelas determinadas pelo apego do ego, contingência humana ressaltando nosso medíocre estado de luz orgânica. Um estado latente de transição, percorrendo rodovias utópicas transcendendo as possibilidades racionais da mente humana. E nos banheiros de beira de estrada, ficou as paredes sujas de “mijo” e  fantasias obscuras onde o obsceno conduz os dias aliviando-se no ato de uma masturbação, pecado e missa de sétimo dia rezada em um prostíbulo. É Tiburogunda! O Sacerdote com suas cuecas coloridas e meias de três listas, sorri jogando água benta nas tetas nuas da moça de nome Madalena. Pedido de perdão, submissão, confusão na feira pelo preço do mamão... Tudo seguindo a mesma cena...

(Dentro da conjuntura disposta diante das telas da televisão, nada mais resta de sigiloso...)

Contar tudo!
Contar sobre ela é comer chocolate e tomar um porre de coca cola, overdose de sorvete e guaraná, coisa simples e sofisticada, uma canção, uma poesia sem especulação, sem propósitos filosóficos ou acadêmicos.
Contar sobre a Tiburogunda nua é manifestar nosso estado de graça! É ser latente, contente e "pecante" sem culpa!

-Inocente!

Tiburogunda denota a ausência da sagacidade, solicita apenas riso, mãos, pés, língua, pênis e vagina. Fala pelo músculo cardíaco as palavras de pura ignorância intelectual, dizendo contundentes verbos como exemplo: defecar, comer, mijar e foder...
Substrato de uma ejaculação cármica ela evolui de forma simbionte dentro da própria química, confundida às vezes pela mente que tenta explicar a conformidade das formas como sendo paixão. Tiburogunda viaja no sangue, trafega pelas veias como cocaína.

(Na vida nada termina e tudo se transforma... Tudo se dissemina e prolifera sobre a terra fértil do jardim de nossa casa.)

No subúrbio, mentalidade cosmopolita, deixando suas marcas esquisitas nos muros, na pele e nas roupas dos pedestres... Nas placas dispostas enfrente as escolas e nas ruas... “Placas Engomadas!”
Percebe-se:
No recreio os adolescentes escutam "The Bird Fly", a nova canção dos "Zumbis Gangrenosos"... Banda de rock, celular na mão, papelote de maconha e preservativo no bolço, voando igual bando de vampiros sugadores do medíocre e mantedores da hipocrisia... São sempre do contra com suas caras feias, reclamando do trânsito, do governo, do vizinho, do pijama, da barriga, do cabelo, do vestido, da fumaça, da poeira, da confusão criada por eles no restaurante da esquina; querendo bife mal passado ou bem passado, desconto, mesa de centro ou de canto... -E o árbitro é o Chicão! Um Bar Mam... Esta é a única forma de inibir a presença da Tiburogunda nua. Nossa vida de insólita conduta que os conservadores comedores de merda chamam de preço do progresso que somente esta tal globalização traz.

“-Tiburogunda esta encolhida nos preservativos femininos e esmagada pelo fio dental, oprimida pelo Jeans!”

Tiburogunda esta asfixiada pela psicanálise. Sendo enterrada nos divãs. Sendo lembrada no espelho de um passado cruel. Passado das perseguições ortodoxas de bispos e cardeais, pudores e tentações que desenhavam em cartilhas as imagens das sutras e dos salmos para enganar a Tiburogunda... Ornamentos os escapulários dependurados no pescoço inocente que teimava segurar nas mãos o rosário sujo de sêmen denunciando o motivo do Calvário. Eram pés calejados descalços e enlameados de sangue infantil.

"-Pedófilos!"

Tiburogunda manifestada e sem pudor desencadeia a perdição do mundo bucólico, do mundo perfeito dos “napoleões” que no auge de suas fobias perpetuam a opressão, a solidão e determinam o poder do cifrão...
Mas de qualquer forma, Tiburogunda continua ativa, latente e condicionando aqueles loucos onde me incluo... Querendo fantasiar o termo e os fatos dando assim uma alternativa para o telespectador da TV Utopia.
-Subjetivamente, é claro...
Mas sempre fica a opção de trocar de canal.
-Tanto faz!
É o que diria Tiburogunda dando risada e alisando o clitóris, permitindo a dona Celicéia ter um orgasmo... Talvez o único de sua vida.


-Lifaritas: Espécie de fada produtora de mel que habita o Mundo imaginário do autor;
-Tiburogunda: Nome Fictício de uma entidade lúdica que habita o imaginário do autor;

-Trulskas: Caverna com ventania que existe em um Mundo imaginário do autor;

sábado, 16 de janeiro de 2010

CONJETURAS DE UM TEOREMA.

"Dimensões da realidade não temporal..."

Acreditar no tempo como se fosse real,
qual tempo que enruga os traços,
as linhas do rosto cansado.
Acreditar que existe algo antes,
existe algo depois...

Amarguras testemunhadas
onde apenas o que muda
são números marcados,
seja no cronômetro ou na folhinha.
"- O despertador tocou?"

Qual tormento, tortura vã!
Querendo ser ciência
não passa de mito cão.
Fuga demente de gente alimentando o cifrão!
Contingências alicerçadas pelo desejo obsecado.
- Este teal, muito real!
Nosso famigerado tempo
que massacra agudo.
"- O crachá libera a catraca..."

Registros na mente lapidam nossa história
nas estórias contadas no era uma vez...
Tudo era naquele tempo,
cada momento, marcas do homem.
"Na areia as pegadas acompanham a linha sinuosa da orla..."

Pensamos em vidas já vividas,
onde vivemos nossas aventuras,
deixando amores, castelos e rancores.
O místico revelando uma realidade
deveras fugaz, velada pelas nuvens do céu!

Matemática, ciência exata,
terá que mudar a equação!
Relativamente, tempo não existe.
-Como posso parar os ponteiros do relógio
se as engrenagens movem as cordas de aço...
Tic tack! Tic tack!
Bate o minuto no relógio!

Basta-nos resgatar a memória,
geneticamente falando,
prover a mente dos ensinos
do perfeito código que provará
este teorema absurdo.
-Qual é a idade do tempo?

A contundência desta afirmativa
desnuda a fragilidade da civilização,
assim preferimos esperar os fins
do que buscar os começos;
testemunhando utopias
e provendo estórias permanecemos...

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A AVE GRITA !

Na terra vazia o homem constrói
A indústria, a mansão e a favela.
Na terra vazia o homem destrói!

E a ave grita...
A ave grita!

A grama morre,
A árvore tomba,
A fumaça asfixia
E o homem continua!

E a ave grita...
A ave grita!

Na grama não pode fazer seu ninho.
Na árvore não encontra seu alimento.
O homem não deixa ela nascer...
- Mas a ave grita!

O homem não quer ouvir.
O homem pensa
E a vida modifica...
E a ave grita...
A ave grita!
Talvez por piedade
Ou grita para morrer...

A ave grita!

sábado, 20 de dezembro de 2008

ÁGUA E SABONETE...

- ( carinho perfumado )

Água nas palmas das mãos.
Água que escorre,
resvalando,
lavando cada parte...
Água que deixa transparente a pele rosada,
feminina forma, em sua nudez gentil,
mostrando os poros, arrepios contagiantes...

Corpo paralisado diante do espelho,
olhos fixos nas mãos que acariciam
denunciando a libido.

O chuveiro insiste com seu rumor,
estatelando seus pingos nos ladrilhos...

Um gemido de dor!
- Não sei, talvez gozo; a boca entre aberta surta com o mantra...
E o sabonete parece caminhar sobre a pele
procurando novas rotas,
massageando nervos e músculos,
acomodando-se nos cantos, nas dobras.
- Tuas dobras...

Água nas palmas das mãos,
( perfume "LUX" no ar)...

SINAL DE FUMAÇA...

- Que céu obscuro !
( Meus olhos vêem apenas fumaça... )

Bundas e tetas,
reflexos da retina dopada pela mídia.

- Abrem os olhos!
- Olhem este céu, depois gritem bem alto,
e depois chorem, pois a fumaça é tóxica.

Obscura,
nossa filosofia apenas medita sobre as manifestações metafísicas.

Aqueles que costumam ajoelhar-se;
ainda existe esperança...

Noutra parte da cidade os anjos estão sendo castigados pelo efeito estufa,
eu choro por eles que não entendem porque deus nos deu o livre arbítrio.
Coisa que foi negado para eles...
- Os Anjos?

- Olhe o céu!
Mesmo que a fumaça lhe faça chorar. Assim como estou chorando agora...

- Este é o sinal...

O anoitecer em frente de minha casa...