domingo, 21 de julho de 2013

Os gomos da bergamota

No começo...
Assim ponderei!

Os gomos da bergamota

Tudo que sinto traduz minha ignorância. Posta em minha frente como reflexo no espelho, nada parece traduzir esta sensação, nada parece trazer-me a paz. Além disso, fico tentando justificar aquilo que deveras sinto como se houvesse alguma compreensão natural. Resumidamente, sinto tudo como um resgate da consciência infinita. Sei que não somos apenas carne, tão somente busco a divindade dentro do meu ser. Como todo bom pensador também estou á procura do eu. Aquele que pergunta. Aquele que chora. Aquele que ri. Aquele que beija. Aquele que afaga. Aquele que crê. Aquele que sente... Aquele que pergunta sobre o que escrever.

“Pude ouvir o som que vinha com o vento, ele acariciava meus ouvidos, dava aos meus sentidos um prazer indescritível...”

-Sem compreensão. E continua...

“Pelo vidro da janela pude espreitar a aurora colorindo o céu, dando aos que para ela olhavam a alegria de sentir os primeiros raios de Sol... Uma radiação contagiante, aquecendo o corpo e a alma...”

-Meu pecado!

“No pomar o arvoredo ainda úmido pelo sereno, escondia mistérios que os sentidos não alcançavam, tão pouco, ousava eu penetra-los.”

-Medo!

O destino na sua trajetória buscou meu caminho, foi como um conto de fadas aquela revelação e não pude conter nem um dos acontecimentos, pois, eles determinaram a visão daquilo que sou em essência, indubitavelmente, nada havia para ser feito, somente vivenciar cada momento e aprender. Talvez a única certeza que havia, fosse a de que somente o conhecimento pudesse resgatar as minhas lembranças. Era o que pensava.

Todos os dias eu chegava mais perto. Percebia, ela estava esperando a hora em que eu a tocasse. E não demorou a tudo acontecer, meu braço foi puxado quando minha mão tocou o véu, aquele rosto misterioso sorriu... Senti um prazer incomum! A voz que entrou em meus ouvidos trouxe calma. Mesmo quando as nuvens cobriram o Sol formando figuras escuras, medonhas formas hipnóticas mergulhando no cérebro, refugio daqueles códigos e enigmas, há muito perdidos. Foi quando a mão, repentinamente, começou a decodificar cada sinal, cada momento...
A mulher estava nua. Eu toquei cada parte dela e senti todas as sensações que ela sentia, pude dormir e sonhar seus sonhos, enquanto, ao longe o sino tocava clamando pelos seus fiéis. Percebi então que a solidão caminhava junto com todos, e, naquele instante somente eu rezava, somente eu ouvia a voz de Deus, ninguém notou quando as presenças do Sol, da Lua, das árvores e da água se manifestaram permitindo que Deus anda-se em meio das mulheres e dos homens. Foi quando minhas lágrimas mataram minha sede e aos poucos os escombros viraram relva florida e macia...

Foi quando lembrei uma oração que mamãe havia me ensinado, fiquei ali sentado rezando, enquanto, os monstros me cercavam causando dor, materializando cristais dentro de meu corpo. Fechei os olhos e passados o movimento da ampulheta, senti o cheiro das flores, uma brisa suave resvalou em minha pele que se arrepiou, pétalas de rosas cobriram meu corpo nu. Crianças brincavam de roda e convidavam-me para brincar...  Olhei para o lado e lá estava... “- era uma presença sem adjetivos...” Diante todos beijei aqueles pés delicados e sua mão me conduziu. Tudo se revelou...
Somente uma pergunta havia!  

Diante de uma porta eu parei por alguns instantes e ficou claro que era preciso coragem para entrar! O medo, as dúvidas, a solidão seriam formas para encorajar a busca da luz e ao mesmo tempo motivo para ficar inerte diante da vida, isto eu sabia, pois já havia lido isto nos livros que me rodeavam... Parado diante da porta agora estava... 
-Mas os olhos estavam abertos! 

Foi nas ultimas horas do dia. Ainda faltava descobrir qual igreja tocava o sino e o que escondia aquele prédio antigo de arquitetura simples. Ao abrir a porta uma senhora veio abraçar-me, ela agora estava sem seu habitual capuz, depois, conduziu-me por um corredor e em cada porta nós paramos... Ela me apresentou a todos que lá estavam... Eu reconhecia cada um deles presentes naquele lugar familiar!
Ela então disse com voz serena...
-Tenha coragem!

Não era mais real aquilo tudo. Pensei!
Lembrei minha infância. De quando voltava da escola e na sombra do arvoredo me empanturrava de tanto comer bergamotas. Das estórias de meu avo, das coisas da vida que teimamos em dizer ser nossa sapiência. Esta nossa saudade! E assim cada gomo transformou-se... “- Poesia!” No mesmo instante percebi que ainda haviam muitas reticências desenhadas em minha mente e seria necessário as ponderações que talvez em um futuro não distante poderão elucidar minha ignorância.

Pinga pinga
Pingo d’água
Pinga sem parar
Um mistério a desvendar... 


“Vestígios inexplicáveis onde as ponderações lúcidas, técnicas ou científicas, não elucidam. Somente o silêncio é que produz eco, sinos surreais, entoando mantras sagrados e conhecidos que fingimos não entender. Ignoramos nosso coração e decoramos canções. Quando somente bastava olhar para o lado, bastava apenas dizer...”


Seios


Fartos mamilos que avolumam
Dois formosos montes no decote,
Deixando o amor sem consorte
Nos olhos desejosos que reclamam!

Nem todos podem ser iguais a este,
Tão pouco, os versos que explicam
Podem dizer da beleza que ostentam;
Somente o homem sabe de seu deleite...

Mamas róseas que balançam...
No movimento único... Um instante!
Quando as mães amamentam,

O suco vindo do leite,
Floresce o amor dos que desejam!
- E dos seios, vem tudo que se sente...


O anoitecer em frente de minha casa...